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A Capoeira na Cultura Cômica Popular

 

          Por mais que a capoeira venha a passos largos demonstrando que não é de forma alguma apenas uma dança, ou folclore nacional, o imaginário popular e cômico ainda tem se mostrado retrógrado e atrasado. Poderíamos elencar aqui diversos fatores que contribuíram para que essa ideia fosse suplantada e até hoje vigente, e uma delas é sem dúvida nenhuma o interesse do Estado em deslegitimar uma manifestação de resistência tanto física quanto filosófica dos africanos, afrodescendentes e marginalizados.

          Para nós que acompanhamos o desenvolvimento da capoeira, tanto cultural quanto organizacional percebemos que o pensamento de que era apenas uma dança onde “negros faziam para se distrair”, é mais do que furada e totalmente sem balizas históricas e historiográficas.

        Ao mesmo tempo em que vemos a valorização da capoeira enquanto manifestação social e cultural tanto no Brasil quanto no mundo, o ranço de ser apenas um folguedo sem ofensividade ou de não ser imbuído de características similares as artes marciais orientais ainda está presente, e o fato que mais nos salta aos olhos é que a crítica camuflada em sátira vem principalmente de nós, brasileiros.

         Alguns se perguntarão, mas qual o problema é apenas brincadeira? Respondo a esta questão com outra: por que então este tipo de sátira não é feito com as outras formas de luta que aqui no Brasil se praticam de forma tão arraigada quanto? Uma das respostas que podemos extrair é que nós mesmos não damos valor para a nossa própria cultura.

         O canal do YouTube Porta dos Fundos, publicou em sua página um vídeo onde é simulado uma luta de MMA,  um dos personagens é lutador de capoeira, e a visão que o canal passa da capoeira enquanto luta é visivelmente diminuída e desmerecida, e percebemos isso logo de cara apenas pela compleição física do praticante que é em nada parecida com a de um atleta de alto rendimento,  enquanto o seu oponente com físico atlético é  “mortal e sanguinário” balizando sua contundência em todas as artes marciais orientais por ele conhecidas.

         Somente da diferença do físico podemos extrair dois argumentos que validam nossa tese, primeiro a capoeira não é para os produtores desse canal do YouTube um esporte que seja capaz de transformar a pessoas em uma “máquina de matar”, como as artes marciais que seu oponente pratica, e segundo podemos também levantar a questão que para ser lutador ou praticante de capoeira não é preciso dedicação, pois não há necessidade de manter a forma ou desenvolvimento muscular para a prática da mesma.

         A deslegitimação da capoeira enquanto luta eficaz está presente em todo o vídeo que compartilhamos logo abaixo. Pode para alguns não ser grande coisa por ser comédia, mas até que essa imagem de dança-folclore que a capoeira possui não for tirada desses conteúdos propagadores de cultura, será mais difícil que ela seja vista novamente como uma luta criada para defesa e resistência. Não digo que ela não seja rítmica e que muito menos não faça parte do nosso cabedal de processos culturais, mas como já discutimos no Itan Òbe com os artigos de Simone Pondé, essa imagem de dança inofensiva é uma construção coletiva criada para diminuir e desmerecer toda importância belicosa que a capoeira teve no decorrer de todo o século XIX e início do XX.

          O que torna mais interessante é que esta sátira vem na contramão dos fatos que vemos hoje, pois a cada dia que passa a capoeira ganha mais espaço no mundo do MMA por seus golpes traumatizantes e pela grande movimentação que a capoeira dá ao seu praticante que são essenciais para o desenvolvimento do atleta no MMA, fato este também já foi mencionado pelo Itan Òbe em um vídeo onde vemos o uso da capoeira como forma de defesa eficaz.

          A capoeira ainda é jovem e tem muita história para contar de seu passado e muita força para se fazer marcante no presente e um notável futuro pela frente.

 

 

 Sexta-Feira Cultural

A Sexta-Feira Cultural é um trabalho desenvolvido pelo graduado Aranha do Grupo Abadá Capoeira na Associação dos Bairros Reunidos, na cidade da Praia Grande, Litoral Sul de São Paulo. O projeto da Sexta Cultural tem como mote dar um suporte a mais à criança ainda em formação, tanto escolar quanto no mundo da capoeira.

O projeto trata de questões que não envolvam somente o universo cultural que permeia a capoeira enquanto manifestação, mas sim levando informações e experiências para crianças e não somente desta “periferia”, mas, assim como acontece em tantas outras espalhadas pelo Brasil, às crianças não possuem acesso a própria cultura e assistência.

A Sexta Cultural, além de inserir outras manifestações de origem afro-brasileira, como o maculelê, samba de roda e o jongo, é também um espaço para apresentação de filmes relacionados ao mundo da capoeira e à ministração de palestras educativas de interesse da comunidade que envolve a Associação dos Bairros Reunidos.

Desta forma, a Sexta Cultural tenta mostrar ao aluno que a luta por ele praticada não é a única representação cultural de resistência que existe e existiu no Brasil. O uso de filmes ajuda o aluno a visualizar parte do grande processo de transformação que ocorreu na capoeira, podendo ele, com a ajuda do graduado Aranha, traçar paralelos entre a capoeira de resistência do século XIX e a que foi e é representada nos filmes.

A Sexta Cultural acontece toda última sexta-feira do mês. Estão todos convidados a prestigiar o evento.

Mestre Bimba em Goiânia

     Somente por curiosidade segue abaixo o vídeo da entrevista feita com Mestre Bimba em Goiânia, onde expõe os motivos que o fizeram sair da Bahia. Esse vídeo mostra em si a decadência da capoeira, Mestre Bimba não consegue mais se manter e tenta em Goiânia o que não conseguiu na Bahia. A morte na miséria não só de Bimba, mas também de Pastinha são provas cabais deste declínio da capoeira tanto no cenário baiano quanto no nacional.

De lá pra cá- Mestre Bimba

   Uma boa abordagem da trajetória do Mestre Bimba é levantada pelo programa no episódio em questão, com depoimentos interessantes e análises de historiadores e estudiosos do período histórico onde Bimba está inserido, que é na primeira metade do século XX.

   

Maculelê e o Jongo 

    A capoeira funciona hoje como um aglutinador de culturas da resistência negra do tempo da escravidão. O jongo, o samba de roda e o maculelê, por exemplo, são inseridos pelos novos grupos de capoeira dentro da sua didática, criando um novo paradigma do que é capoeira e como ela deve ser ensinada. Mantendo vivas as expressões culturais de afirmação do negro dentro da sociedade que antes o reprimia.

Jongo de Mestre Darcy

     O jongo, por Mestre Darcy, mostra de forma irrefutável a ligação do jongo com as religiões afro-brasileiras, prova do mútuo auxilio para a sua sobrevivência. Não só o jongo como o também o samba de roda oriundo do samba de caboclo dos terreiros de candomblé. O jongo, assim como o samba de roda, era executado dentro dos terreiros, protegido da grande repressão social e cultural que sofria.

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