Artigos

A Negrada Instituição

     O que disponibilizamos no Itan Òbe é para nós um marco na mudança da historiografia brasileira no que tange o universo da capoeira. A Negrada Instituição serviu e ainda serve como referência para novas pesquisas que passaram a surgir no final do século XX e inicio do século XXI. A mudança de paradigma que o autor utiliza para tratar a contextualização da capoeira e sua posição na sociedade foi inegavelmente inovador e balizado historiograficamente.

    Carlos Eugênio Líbano Soares, utiliza fontes que não eram muito usadas por historiadores brasileiros, fontes judiciais e policiais que até então não poderiam trazer um panorama social passam a ser mais largamente utilizadas, mas não somente Carlos Eugênio, como também estudiosos da escravidão passam há ter neste tipo de fonte uma nova base para pesquisa, conseguindo através deste arcabouço teórico traçar não somente a situação social, mas também até como viviam essa parcela da sociedade tão densa, mas extremamente reprimida.

    O que estamos referendando não é apenas uma tese de mestrado, mas sim uma nova forma de ver a capoeira dentro da nossa sociedade e com uma importância muito maior do que poderíamos imaginar. Negrada Instituição é apenas a ponta deste iceberg literário e historiográfico que circunda o mundo da capoeira, obras vieram depois e muitas ainda virão para tratar da capoeira como ela merece e deve ser representada dentro do nosso país, pois para nós que vivemos no mundo da mandinga sabemos que a capoeira não é apenas uma luta ou um esporte, mas sim um estilo de vida.

     Portanto, recomendamos que leiam e entrem neste mundo mágico que são os “descobrimentos” e as histórias maravilhosas que esta obra nos traz.

A Negrada Instituição

Quem tem barriga tem medo: imagens de capoeiristas na imprensa ilustrada da Corte

O texto de Marcelo Balaban nos traz uma nova perspectiva, tanto na abordagem quanto na interpretação, que até então não havia sido compartilhada pelo Itan Òbe. Falar sobre a capoeira e os capoeiras através das ilustrações publicadas nos jornais e revistas do século XIX é algo novo e extraordinariamente interessante.

Através das ilustrações que eram publicadas em jornais e revistas podemos até inferir, e isso o autor faz de uma forma simples e eficiente, o que se passava na cabeça da sociedade que cercava e que muitas vezes se tornava refém destes capoeiras. As ilustrações, como o próprio autor revela, muitas vezes utilizavam de expressões hiperbólicas para descrever os atos praticados pelos capoeiras na Corte.

O exagero na descrição dos atos dos capoeiras na ruas consequentemente gerava um medo exagerado desse personagem na sociedade dominante, e não estamos aqui de forma alguma negando o medo que os capoeiras causavam nas ruas e muito menos o autor passa essa informação, mas queremos deixar claro que os capoeiras não eram as abominações descritas e que muito menos faziam “maldades” por puro prazer.

Os motivos para os diversos ataques pelos jornais e arquivos policiais aos capoeiras existiram, mas o que fica difícil hoje para nós e que o próprio autor relata é descobrir qual foi a razão que desencadeou o ataque ou a morte de alguém por parte de um capoeira. A falta de informações por parte das fontes é um grande entrave para sabermos os reais motivos que levavam às contentas envolvendo capoeiras.

O texto de Marcelo Balaban é um ótimo ponto de partida para discutirmos como eram vistos os capoeiras nas ruas da Corte e através dele podemos dar início a novas elucubrações e inferências e, desta forma, tentar entender esse medo tão alarmante que os capoeiras provocavam nas autoridades e nos chamados “homens honestos”.

Portanto, textos como do Marcelo nos abrem diversos leques de discussão, como a questão racial e social bastante presente nas ilustrações e posturas que podemos depreender dos textos produzidos relativos ao século XIX, sobre esse “cancro social” que foi a capoeira.

Boa Leitura!

Segue abaixo o link para download do artigo:

http://www.4shared.com/office/MwaJV8Mp/QUEM_TEM_BARRIGA_TEM_MEDO_IMAG.html?

A (des)criminalização da cultura negra nos códigos de 1890 e 1940

      Jhonata Goulart faz um levantamento interessante sobre um dos porquês da criminalização da capoeira e dos cultos religiosos de origem afro-brasileiros. Para o autor, a proibição não se dá tanto pela “periculosidade” que estas manifestações trariam para aquela sociedade racista e preconceituosa, mas sim pelo fato de que esta seria a forma mais “rápida” de se apagar o passado escravocrata do país e, para isso, o mais coerente seria apagar qualquer manifestação daquele “povo” em específico. Tornar proibido e passível de punição pode ser a forma mais eficiente de apagar o rastro de qualquer cultura no imaginário da sociedade.

     Percebemos nesse sentido a falta de algumas leituras pelo autor quando entra na questão da origem da capoeira e sua denominação, como, por exemplo, a leitura das obras de Carlos Eugênio Líbano Soares que não são nem mencionadas em sua bibliografia. Identificamos essa falta quando o autor utiliza a teoria do mato rasteiro para explicar a origem do nome da tão falada luta “escrava”. Não estamos aqui para dizer que existe uma verdade absoluta, pois sabemos muito bem que isso não ocorre na História, mas temos em mãos trabalhos que possuem hoje explicações mais convincentes e coerentes tanto sobre a origem da luta quanto da sua nomeação como capoeira.

     O autor leva a questão da descriminalização da capoeira no Código Penal de 1940 para um viés bastante interessante e que já foi mencionado por nós do Itan Òbe: o caráter higienista das teorias raciais que perfizeram o cenário brasileiro na primeira metade do século XX se perdem com o direcionamento tomado pela Segunda Guerra, a forma com que foi lidada a questão étnica faz com que se mude também no Brasil e no resto do mundo a visão de uma “raça perfeita”.

    É a partir desse momento que no Brasil a mistura se torna importante, é na miscigenação que se encontra o “melhor da sociedade”. É neste contexto que a capoeira é liberada, mas não nos esqueçamos de que por causa das barbáries promovidas em prol da raça pura, que chocaram o mundo, é que o Brasil muda a sua forma de enxergar o negro e sua cultura. Mesmo assim, como bem sabemos e percebemos até hoje, não foi e não é totalmente aceita pela sociedade a capoeira. Lembremos que o autor cita a liberação da capoeira, mas não a dos cultos religiosos que só veio a acontecer muito tempo depois.

      Desta forma notamos que nem tudo é aceito. Há, por assim dizer, uma certa filtragem por parte da alta sociedade do que pode ou não entrar e fazer parte desta. Relembremos que a capoeira liberada não é de longe a capoeira que hoje conhecemos pelas pesquisas, e sim uma capoeira inventada, como bem nos elucida Simone Pondé, em seus artigos disponibilizados também no Itan Òbe.

     Portanto, devemos ler artigos como este e ficar atentos ao fato de que não somente a capoeira, mas outras formas de manifestação da cultura negra, foram e estão sendo constantemente vigiados e só “liberados” mediante os critérios impostos por uma sociedade castradora e preconceituosa.

     O artigo de Jhonata Goulart é uma ótima leitura, pois o autor consegue trabalhar bem e explicar de forma clara como cada Código foi usado pelo governo para o seu bel prazer, mas devemos ficar atentos com alguns argumentos usados por ele em seu texto, com a falta de obras importantes, com os critérios por ele escolhidos, para se entender os processos transformadores da capoeira que não foram usados por ele. Contudo, de uma maneira geral, isso não atrapalha a compreensão do leitor do foco central do artigo que são os Códigos Penais.

                   Portanto, pessoal, boa leitura!   

Segue abaixo o link para download do artigo:

http://www.4shared.com/office/c7NX23yd/A_descriminalizaao_da_cultura_.html

Revista Kosmos

    O texto este mês disponibilizado no Itan Òbe, é uma matéria publicada na Revista Kosmos, Artística, Científica e Literária, no Rio de Janeiro em 1906. A matéria tem como principal objetivo descrever a capoeira em quanto luta, tecendo comparações com outras lutas conhecidas pelo povo brasileiro na época, como a savata francesa, o jiu-jitsu japonês, o pau português e entre outras.

       Antes de adentrarmos no conteúdo proposto pela revista, temos que ressaltar um pequeno detalhe. Como foi possível a publicação de um material como este na época em questão? Dizemos isso, porque estamos falando aqui do ano de 1906, o momento era a pós-libertação e Independência do Brasil, o negro e seus descendentes e principalmente sua cultura, eram alvos do máximo grau de discriminação na sociedade.

      Podemos ainda levantar outro fator que merece destaque, a publicação se deu não muito tempo após a célebre proibição e qualificação da capoeira como crime em 1890, é neste ponto que surge um grande questionamento; como em apenas 16 anos depois, e tenha certeza que não é muito tempo para reformulações culturais e sociais. Como então a capoeira passa de crime regido por lei, à luta enaltecida por parte da comunidade científica da cidade? E ainda mais posta acima das outras lutas estrangeiras?

    Neste sentido podemos inferir novas questões: Será que esta edição foi criticada pela parte “conservadora” e discriminatória da sociedade? Será que ela foi bem aceita, lida e compreendida? São perguntas que não podemos precisar se sim ou não, entretanto uma coisa podemos de fato afirmar, que dentro do momento em que se encontrava a sociedade carioca e brasileira, esta publicação foi de certa forma um contra censo tanto para o que era vivido pelo afro descendente, quanto pela classe dominante.

      A matéria completa para leitura está disponibilizada abaixo e tem alguns tópicos que devemos destacar. A primeira e mais visível é a diferença da grafia que o texto apresenta devido ao grande espaço temporal que há desde a sua publicação até os nossos dias. Um segundo tópico que deve ser levado em consideração é a proposta da publicação, por mais incrível que possa parecer ao que tudo indica, foi sim na época publicada com o objetivo de enaltecimento da capoeira enquanto luta.

       Outra questão que deve ser destacada pelos olhos do leitor é como o autor explica: o onde? O porquê? E por quem? Da capoeira que para o autor em questão, surge no ambiente urbano do Rio de Janeiro no século XIX, uma manifestação combativa como a capoeira. Podemos assim usar esse texto como uma base para nossas discussões que giram em torno dos processos de formação da capoeira.

     Não estamos aqui dizendo que o explicitado pelo autor é a verdade, mas se aliarmos o que foi publicado na Revista Kosmos e a produção acadêmica no universo da capoeira nos últimos anos, encontraremos o que podemos chamar de verossimilhança e não a verdade exata. Portanto temos aqui bom ponto de partida para nossas discussões futuras. Boa leitura.

Segue abaixo o link para download do artigo:

Revista Kosmos

“Resistência ou conflito? O legado folclorista nas atuais representações do jogo da capoeira”

       A afirmação da capoeira enquanto “esporte nacional” ou “luta nacional” está inserida no grande processo de construção de uma “nacionalidade brasileira” iniciada por Getúlio Vargas a partir da década de 30 do século do XX. Questões como pureza, tradição, originalidade e natureza da capoeira são os pontos selecionados para se caracterizar a capoeira que seria a “verdadeira”.

       A discussão que estava em voga na segunda metade do século XX era a oposição do tradicional versus moderno, com a valorização do tradicional para que se pudesse “construir uma nacionalidade brasileira” pelo viés da mestiçagem. É nesse contexto que a origem, natureza e razão da capoeira são construídas, como Simone Pondé aponta em seu texto.

       É por estas razões, que Simone Pondé trabalha em seu texto com mais vagar e profundidade, que se pretere a capoeira praticada no Rio de Janeiro com o pretexto desta ser influenciada pela modernidade e não ser mais “pura”, ser contaminada por outras formas de luta. A folclorização da capoeira com a desculpa de “resgatar” o tradicional é à base de sustentação do grande sucesso da Capoeira de Angola, que foi impulsionada e “legitimada” por diversos intelectuais da época, como Edison Carneiro e Jorge Amado, como sendo a “verdadeira” capoeira nacional.

      Podemos até inferir que esta elevação da Capoeira de Angola como a mais pura e verdadeira, de certa forma, faz com que tenha se criado no imaginário da sociedade brasileira que a capoeira nada tem de belicosa e de resistência física. Por ter em seu andamento uma forma mais cadenciada e “folclórica”, sem menções de um uso mais prático do que apenas a “vadiação” e o divertimento, a Capoeira de Angola, como foi implementada e tomada pelas autoridades e intelectuais, apaga e descaracteriza toda a história de resistência que a capoeira teve durante o século XIX, tanto no Rio de Janeiro quanto no Recife e em outras cidades do então Brasil Império.

      Não estamos aqui de forma alguma preterindo a Capoeira de Angola, mas sim estamos mostrando que ela de fato não parece ter sido o berço da capoeira, como estes intelectuais afirmaram e que até hoje se acredita. Pesquisas como a de Carlo Eugênio Líbano Soares, Simone Pondé e Vivian Fonseca nos dão provas de que a capoeira não foi somente “dança” e “vadiação”, bem como quebram ainda um grande paradigma que envolvia a história da capoeira: a sua origem rural é contestada.

      Para os novos pesquisadores, incluídos citados acima, a capoeira tem sua origem no meio urbano, onde as relações eram muito mais difíceis para os escravos, libertos e livres pobres, tendo aí neste contexto um meio mais propício para o uso desta ferramenta de defesa.

      Tanto neste artigo, quanto em outro disponibilizado anteriormente no Itan Òbe de Simone Pondé, “A construção coletiva da capoeira autentica”, a autora descaracteriza e traz à luz toda a construção que foi empregada em torno da origem da capoeira e sua deturpação da real função na sociedade. Ler Simone Pondé aliado à Carlos Eugênio Líbano Soares é um passo fundamental para entender todo o processo de construção da capoeira na sociedade brasileira.

Segue abaixo o link para download do artigo:

Resistência ou Conflito?

Capoeira e o mundo do trabalho: embates acerca da profissionalização

      Vivian Fonseca traz a luz a um importante assunto que vem permeando o cenário da capoeira durante toda a segunda metade do século XX e início do XXI, a institucionalização do ensino. A institucionalização do ensino acarreta aspectos positivos para o capoeirista com a criação da profissão, com todos os seus direitos, mas também cobra da capoeira uma padronização administrativa, tal qual acontece com outras formas de lutas.

     A obrigatoriedade da filiação dos Mestres e Professores aos órgãos responsáveis, como CREF/CONFEF, bem como de serem esses profissionais formados em Educação Física, deixa de lado todo um amplo debate que envolve a origem da capoeira enquanto processo de resistência negra no Brasil. Ao institucionalizar o ensino da capoeira como uma forma de luta pura e simples, descaracterizamos e esquecemos todo o passado de luta e resistência nas ruas das grandes cidades do Império.

       A autora levanta que, em todo o processo de filiação, o que mais desagrada os Mestres é a obrigatoriedade de ser um profissional da Educação Física. O que é por eles rebatido se refere à inexperiência destes profissionais no mundo da capoeira: não são muitos no país os professores de Educação Física que são, dentro de seus grupos, aptos a dar aula.

   Com esse projeto, Mestres não poderiam mais dar aula, deixando de certa forma o futuro da capoeira nas mãos de pessoas incapacitadas, sem conhecimento filosófico e cultural da capoeira que se dá somente com o longo tempo de treinamento. A capoeira não forma somente o aluno para saber se defender, traz consigo toda uma história de luta que não pode ser de forma alguma esquecida.

    Aceitar esse projeto é castrar o movimento de resistência e de afirmação negra no Brasil. Estaríamos apagando, como fez Ruy Barbosa ao queimar os documentos relativos à escravidão no final do século XIX, da história o que representou a capoeira em todos os séculos XIX e XX. É sumir com a religiosidade, a malícia e a “cor” que a capoeira traz consigo.

     Por mais que tenha sido transformada ao longo do tempo, ao jogarmos a capoeira hoje de certa forma ainda bebemos na fonte dos grandes Mestres, sentimos todo o peso deste processo histórico. Ao caracterizar a capoeira somente como luta, estaríamos desta forma refutando todo este enorme complexo que forma a capoeira.

      Vivian Fonseca expõe brilhantemente os porquês e os poréns desta padronização, em um excelente texto que abre espaço para um grande debate nos grupos de capoeira, do que seria bom ou não para os rumos da capoeira no Brasil, mas a reflexão que podemos tirar deste grande debate é: seria válido reconhecer a capoeira e seus mestres e professores da forma como está querendo ser imposta e assim esquecermos de toda a luta da capoeira para chegar onde chegou?

     Como afirma a autora, mudanças estão sendo feitas em prol dos capoeiristas, mas nada está em definitivo. Devemos abrir os olhos para iniciativas como estas. Tratar a capoeira como simplesmente uma forma de comércio é apagar todo o sofrimento sentido pelos negros, mestiços e marginalizados que fizeram parte deste grande processo.

Segue abaixo o link para download do artigo:

http://www.4shared.com/office/0dU_W2Z4/capoeira_e_o_trabalho_-_vivian.html

Capoeira, Patrimônio Imaterial Nacional

      Simone Pondé em seu breve artigo “O Registro da capoeira como patrimônio imaterial novos…” faz uma análise de todo o processo de consagração da Capoeira como patrimônio imaterial. A autora discute as diversas questões delineando inicialmente as diferenças culturais e simbólicas que a Capoeira tem no Brasil, com os seus diversos grupos e estilos, que seguem uma filosofia própria e crêem em históricos diferentes.

    A pluralidade étnica, a diversidade de culturas e a intervenção e participação do Estado estão presentes tanto na discussão da legitimidade na ação dos mestres em relação ao ensino da capoeira quanto na sua patrimonialização. Simone Pondé descreve como esses conflitos se deram na época, em 2008 e em anos anteriores, mostra como a intervenção do Estado para os praticantes do jogo de angola, na “contracultura”, é visto de uma forma negativa.

     Desta forma a autora monta um panorama da situação da capoeira no cenário político e simbólico no país, mostrando como o Estado vê a prática da capoeira, enaltecendo alguns aspectos em detrimento de outros e como os capoeiristas se posicionam em relação a este movimento estatal. Simone Pondé mostra que no mundo da capoeira nada é uniforme e dado como certo.

      É um ótimo texto para ver os debates que permeiam o mundo da capoeira ainda estão ativos. A origem da capoeira se surge no Rio de Janeiro ou na Bahia? A “pureza” da capoeira, qual o estilo é o mais puro? A chamada capoeira de angola, que dizem serem os mais próximos da cultura negra, ou os que derivaram da regional, acusados de misturarem a capoeira com as lutas dos brancos? Debates como estes ainda fervilhão no mundo da capoeiragem e são palcos de verdadeiras batalhas, mas pode ser aqui também levantada outra questão: até que ponto essa luta pela originalidade e legitimidade da capoeira por estes grupos será útil e conveniente para a capoeira?

Segue abaixo para o download do artigo:

http://www.4shared.com/office/sjstsmTv/O_Registro_da_capoera_como_pat.html?

A Construção coletiva da capoeira autêntica

        O artigo abaixo, de autoria de Simone Pondé Vassallo, faz parte da pesquisa de doutorado em antropologia e etnologia defendida na Ecole des Haules Eludes e o Scienccs Socia!es (EHESS) de Paris. em novembro de 2001, intitulada Erh, ficité, tradition et pouvoir: le jeJl de la capoeira à Rio de Janeiro et à Paris.

        Em seu texto a autora faz uma análise da mudança do epicentro da capoeira e sua fixação na Bahia, analisa como isso foi possível delineando todo o processo formador da consciência de que a capoeira angola baiana é arte pura, a herança real do negros. Simone Pondé mostra como a ideia de que a capoeira angola é a verdadeira capoeira e se insere no imaginário social, usando textos clássicos formadores do pensamento da época. Mostra porque os estudiosos passam a preferir a capoeira e a preterir a capoeira do Rio de Janeiro.

       Um ótimo artigo que revela de certa forma que a capoeira pode não ter começado na Bahia e que esta capoeira que consideramos a “capoeira original” pode ser de fato uma invenção social para alimentar o imaginário da construção de identidade nacional que se delineava na primeira metade do século XX.

Segue abaixo o link para download do artigo:

A construção coletiva da capoeira “autentica” – Simone Pondé 

Os escravos de ganho no Rio de janeiro no século XIX

       O artigo que segue abaixo, apesar de um pouco extenso, é interessante, pois o autor faz um ótimo e minucioso levantamento da vida dos escravos de Ganho do Rio de Janeiro durante o século XIX. Luiz Carlos Soares descreve como era o dia a dia do escravo, os problemas que tinham que enfrentar, as tarefas por eles desenvolvidas, os comércios mantidos por eles e as obrigações financeiras destes escravos com seus senhores.

     O autor reconstrói brilhantemente o cenário urbano da cidade do Rio de Janeiro do século XIX. Através da sua escrita podemos conscientemente viajar pelas ruas do centro da então Capital do Império e sentir o perigo e belicosidade que aquele ambiente carregava.

Segue abaixo o link para download do artigo:

Os escravos de Ganho no Rio de janeiro do século XIX

Capoeira de Angola versus Capoeira Regional

   Marcio Teixeira Lopes, no início do texto, faz um rápido panorama político-estrutural da cidade do Rio de Janeiro, durante a transição do império para a república, apontando indícios das formações das favelas e cortiços como obra da reestruturação física da cidade, ao mostrar, por exemplo, as teorias de higienização tiveram papel fundamental para a discriminação racial.

     O negro e a manifestação pública da sua cultura eram para aquela sociedade um cancro, que deveria ser extirpado. O autor lança um motivo forte para a repressão cultural negra que vinha sendo utilizada após a abolição, deixando implícito que a sociedade trata não só o negro, mas o pobre também como “marginal”, mas é essa mesma sociedade quem cria esta situação excluindo e segregando.

     O que pode ser extraído desse apontamento feito pelo autor é que mesmo após a abolição o negro não passava de uma “peça” que antes era “útil” e rendia dinheiro, mas agora não mais. A sua “livre” circulação pelas ruas as deixava, aos olhos higienistas, mais sujas e essa sujeira deveria ser varrida para longe dos olhos da alta sociedade.

      A partir disso levanta-se uma questão: Por que a capoeira é aos poucos aceita e finalmente liberada em 1953? Que mudança drástica ocorreu para que em menos de 30 anos o personagem que mais causou transtornos ao meio social citadino fosse agora ungido como representante nacional e sua prática como o esporte do país?

        Como o próprio autor aponta muito lucidamente, a capoeira, em meados da década 30 do século XX, só é “suportada” porque sua essência é completamente modificada. A resistência é substituída pela dança e pelo folclore e a luta é substituída pelo plástico e pelo acrobático.

     É nesse ponto que se pode fazer uma inferência referindo-se ao texto de Simone Pondé, disponibilizado anteriormente, onde a autora discorre sobre essa transição da capoeira, mostrando que é nesse momento em que se “cria” e se denomina a capoeira angola como verdadeira e tradicional, capoeira esta regada a folclore e praticamente nenhuma resistência física.

       A libertação total da capoeira após a Segunda Guerra é fato de grande relevância. O negro e sua cultura são duramente reprimidos durante a primeira metade do século XX. Em um tempo de ideias eugênicas e de uma raça pura reinando no mundo, o Brasil, país miscigenado e negro, estava atrasado no processo de “evolução” aos olhos eugênicos, deveria ficar branco em todos os sentidos, prova disso é o grande incentivo da imigração branca para o Brasil para serem empregados como mão de obra. A moda agora, como elucida Luiz Carlos Soares em seu livro “O povo de Cam na capital no Brasil”, era ter em sua casa o criado branco, mesmo tendo à disposição muitos braços negros recém libertos.

   O horror que a Segunda Guerra causou ao mundo, impulsionada também pelo objetivo da construção da raça pura, é que desencadeou a mudança drástica no pensamento nacional acerca do que deveria ser considerado puro ou não. Chega-se à conclusão de que era através da mistura que se teria o melhor do povo, as políticas mudam e o que antes era rechaçado agora era tido como nacional e verdadeiro.

      Aos poucos o “jeito negro de ser”, antes proibido, passa a ser libertado, a capoeira, com todas as suas mudanças e manipulações, é aceita como o esporte nacional, o samba como ritmo brasileiro. O capoeirista continua aos olhos da sociedade sendo rotulado de malandro e vadio, a imagem que a sociedade criou da capoeira e do capoeirista irão persistir por muito tempo.

     No transcorrer do texto o autor faz o embate entre as duas formas de capoeira que surgiram na década de 30. É uma boa análise e com apontamentos interessantes, mas para quem leu o texto de Simone Pondé é possível perceber que esse autor não o fez, mas de todo jeito é uma boa leitura.

Segue abaixo o Link para download do artigo:

Capoeira Angola X Capoeira Regional-Marcio Teixeira Lopes

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