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Barravento

      Barravento, de 1962 é sem sombra de dúvidas uma aula dos processos culturais afro-brasileiros, o filme transmite todo amálgama que era e é a cultura que herdamos dos escravos que aqui foram forçados a viver. Podemos perceber que a vida deste pequeno vilarejo girava em torno de sua religião, era ela quem comandava o ritmo e as regras de convívio tanto social quanto de trabalho.

     Capoeira, samba de roda, candomblé e puxada de rede em um único lugar, atadas todos pelo mesmo fio tecedor de cultura, a religião. A religião e a musicalidade são elementos chave das sociedades africanas, e esta característica foi transmitida para todos os lugares onde o povo africano pisou na América do Norte, Central e do Sul. Em todos esses lugares encontraremos manifestações de cunho africanas, todas em certa medida musicais e religiosas.

   As igrejas protestantes do EUA carregadas com seus louvores, todos marcados de uma forma extremamente musical e ritmada, a Danmye na ilha da Martinica com características bem próximas da capoeira, um misto de dança e luta e a capoeira no Brasil, que durante muito tempo esteve presente nos terreiros de candomblé, protegida e protegendo, são estes apenas alguns exemplos, com um olhar mais perceptivo entraremos diversas outras manifestações. A dissociação da capoeira com a religião se deu em um tempo muito posterior até mesmo a libertação dos escravos.

     Como percebemos neste filme que data do ano de 1962, a capoeira e o capoeirista estavam sim intrinsecamente ligados ao candomblé, não só pelos laços de amizades entre filhos de santos e as mães de santo, mas estes capoeiras eram sim em muitos casos filhos de santos, ogãns e ativos freqüentadores dos terreiros de candomblé. Essa relação não se deu somente na Bahia, no Rio de Janeiro as relações entre estes dois personagens da sociedade que eram marginalizados muitas vezes se cruzavam e se protegiam diante de uma sociedade preconceituosa marginalizadora.

      Barravento é sem sombra de dúvidas um ótimo programa para discussão em seus grupos de estudos, de capoeira e de amantes da cultura afro-brasileira, dele poderemos extrair os mais diversos assuntos que perfazem o processo tanto cultural quanto preconceituoso que se instalou em nossa sociedade. A religião, a capoeira, o lugar do negro no mundo de trabalho ainda marginal, esses são alguns dos tópicos que podemos ressaltar deste maravilhoso filme. Assim, recomendamos um cine pipoca com Barravento e uma excelente discussão.

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