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Gritaram-me Negra!

     Essa mês não será falado, mencionado ou apontado algo sobre capoeira em específico, mas sim abriremos espaço mais uma vez para um ponto que engloba a capoeira enquanto agente em uma sociedade segregadora e preconceituosa. “A Cor da Capoeira” e sua musicalidade ainda são enormes barreiras para sua aceitação total em nossa sociedade enquanto luta nacional. A música, por exemplo, dentro da capoeira para pessoas desavisadas e preconceituosas é um sinal, ou uma representação da presença da religião de cunho afro-brasileira.

     A discriminação motivada pela cor da pele e o desconhecimento são fatores preponderantes nas nossas discussões sobre a capoeira e seus reflexos na nossa sociedade, e devem sim ser discutidos para que desta forma possamos entender o lugar que colocaram a capoeira enquanto agente aglutinador de uma determinada parcela da nossa sociedade.

     Esse poema de Victoria Santa Cruz, refletia uma sociedade em uma época que não está tão distante assim de nós. Vemos que por mais que se encubra o preconceito quanto a cor, o cabelo e a boca a cada dia que passa o nosso “padrão de beleza” sempre se distancia de uma parte fundamental da nossa história, tentamos a cada dia que passa nos enquadrar em uma beleza que não é nossa, cabelos, maquiagens, alisamentos e chapinhas.

     Andar com o cabelo “Black”  e Dread ainda não são bem quistos totalmente, podemos provar essa questão quando vemos uma pessoa de “dread” ou “black”, a primeira reação da maioria das pessoas além do estranhamento é a ideia de sujeira. Os nossos modelos negros ainda são minoria e entram nas propagandas e nos desfiles através de “cotas”, prova disso é que quando pensamos em um referencial de modelos internacionais negras apenas um nome nos veem a mente, Naomi Campbel.

    Cego é a pessoa que acredita que vivamos no Brasil a fatídica “Democracia Racial”, a nossa situação só se resolverá quando passarmos a discutir de fato as questões que levaram a essa discriminação, não se combate o preconceito não falando dele, e sim tocando cada vez mais nessa ferida que ainda esta aberta para nós.

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