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A Capoeira na Música Popular Brasileira: Olerê Camará

Este mês temos como convidada em nossa seleção musical, Alcione. Olerê Camará é a música gravada por ela em 1980 no álbum intitulado “E vamos a luta”.

Na letra percebemos que a capoeira já é dado como fato presente e marcante do cotidiano social. O capoeirista é representado como uma figura temida por sua força de reação e do poder combativo da capoeira enquanto defesa pessoal.

         O nosso personagem usa da capoeira para relaxar e como a letra mesmo nos diz “Se a saudade é zombeteira, dou um nó no berimbá”. Olerê Camará nos traz um dado novo para a nossa discussão e que já foi assunto bastante presente nos debates sobre o real poder belicoso da capoeira.

        Quando a letra nos diz “Do meu arco de madeira,Quero ver quem vai zombar”, percebemos aí uma clara afirmação e obviamente uma contestação ao tratamento que a capoeira sofre no final do século XX, sendo tratada apenas como uma dança folclórica e assim sendo esquecido o seu poder defensivo e combativo.

        Olerê Camara é uma prova de que a sociedade não era homogênea em classificar a capoeira apenas como uma dança, e sim de classifica-la como uma luta, com poder de defesa e ataque comparável com as outras formas de luta que faziam parte do cenário social brasileiro.

         O nosso personagem justifica e embasa o seu poder de combate no seu professor e Mestre, a música resgata aqui o poder de Mestre Pastinha enquanto portador do conhecimento de uma capoeira que deve ser respeitada, assunto este que já debatemos largamente no Itan Òbe.

         Olerê Camará também faz uma menção bastante forte da ligação do capoeira com a religião. O capoeira encontrava sua proteção em seus Guias e protetores espirituais, tema este que mais adiante será aberto um espaço mais digno para discussão.
Alcione nos traz um ótimo exemplo para debate e apreciação da imagem que a sociedade tinha da capoeira através da música popular.

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